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Published in : Temas Biológicos, Botânica


Divisão  Gymnospermae: breve panorama

Por Karine Kavalco, M.Sc., 1999.

Morfologia:  plantas com sementes nuas, heterosporadas, geralmente com megagametófito, muito reduzido, incluído dentro da parede do megásporo, que está dentro do megasprângio, carnoso, chamado de nucelo. Este megasporângio é recoberto por duas camadas de tecido, os tegumentos. Os tegumentos envolvem completamente o megasporângio, exceto no ápice, na região da micrópila. A estrutura inteira é o óvulo. Existem cerca de 720 espécies de gimnospermas.

Inflorescência do tipo estróbilo: caracterizam as coníferas e cicadáceas. A parte vegetativa do megasporófilo é mais rudimentar, transformando-se numa escama que protege os óvulos, que geralmente se encontram na base. Estes megasporófilos encontram-se arranjados em estróbilos. Ao abrir os estróbilos, encontramos óvulos nus. Os microsporângios representam a estrutura masculina e em Araucaria angustilfolia são em grande quantidade.

 

Estróbilos de Araucaria angustifolia - Conífera brasileira; fêmea (esquerda) e macho (direita).

Reprodução:  seus óvulos e sementes são expostos sobre a superfície dos esporófilos e estruturas análogas. O gametófito feminino produz váriosarquegônios. Como resultado, mais de uma oosfera pode ser fecundada e vários embriões podem começar a se desenvolver dentro de um óvulo (poliembrionia). O gametófito masculino, o grão de pólen, é transferido integralmente para a vizinhança do gametófito feminino dentro de um óvulo (geralmente pelo vento). Após a polinização acontece a formação do tubo polínico. Este tubo polínico alcança a cavidade que existe acima do gametófito feminino. Ele se rompe na vizinhança do arquegônio e libera anterozóides multiflagelados. Estes nadam e um deles fecunda a oosfera. Há então o desenvolvimento da semente.

Subdivisão Cycadophyta (cicadáceas):

Morfologia: semelhantes à palmeiras encontradas em regiões tropicais e subtropicais. Compreendem 11 gêneros e 140 espécies. São plantas grandes, sendo que algumas atingem 18 metros ou mais de altura. O tronco é densamente coberto pelas bases das folhas embricadas. As folhas funcionais ocorrem no ápice do caule. São freqüentemente tóxicas, por compostos neurotóxicos e carcinogênicos.

Reprodução: as unidades reprodutoras estão nas folhas mais ou menos reduzidas, com esporângios unidos agrupados em estróbilos no ápice da planta. Os estróbilos portadores de pólen e os portadores de sementes nascem em plantas separadas. Seus anterozóides são móveis.

Subdivisão Ginkgophyta (ginkgo):

Morfologia: possui folhas flabeladas, ramos abertos e padrão de nervação dicotômico. Tem crescimento lento, podendo atingir mais de 30m de altura. As  folhas são mais ou menos inteiras, decíduas, ficando douradas antes de caírem no outono. Ginkgo biloba é a única representante do grupo. É resistente ao ar poluído, sendo usada em paisagismo.

Reprodução: possui óvulos e microsporângios em indivíduos separados. Os óvulos nascem aos pares no ápice dos ramos curtos e no outono produzem sementes de testa carnosa. O gametófito masculino forma um sistema haustorial muito ramificado, que se desenvolve a partir de um tubo polínico não ramificado. Ligado a este sistema está uma estrutura saciforme que contém os núcleos do tubo, não incluído pela célula do tubo e várias células internas.

Subdivisão Gnetophyta (gnetófitas):

Morfologia:  Gnetum possui cerca de 30 espécies e inclui árvores e trepadeiras com folhas grandes e cartáceas. São encontradas em regiões tropicais. Ephedra são arbustos muito ramificados, com folhas inconspícuas, pequenas e escamiformes. Suas folhas pequenas ecaules aparentemente articulados, lebram superficialmente o gênero Equisetum. A maioria das espécies de Ephedra habita áreas desérticas ou áridas. Welwitschia tem a maior parte de sua estrutura enterrada no solo arenoso. As partes expostas consistem de um disco côncavo, maciço e lenhoso, que produz somente duas folhas longas, com os ramos portadores de estróbilos aparecendo do tecido meristemático que ocorre na margem do disco. Cresce nos desertos costeiros do sudoeste da África, na Angola, Namíbia e África do Sul. Os três gêneros de gnetófitas diferem em várias características, porém têm outras que as assemelham das argiospermas, supondo os cientistas que há uma linha evolutiva comum entre os grupos. São o grupo mais intimamente ligado às argiospermas, mas nenhum dos representantes de Gnetophyta pode ser considerado ancestral.

Reprodução: foi observada uma dupla fecundação, considerada característica única de angiospermas, pode ter-se desenvolvido num ancestral comum. As estruturas de reprodução das gnetófitas produzem pólen e são visitadas por  insetos, e a polinização pelo vento é muito efetiva.

Subdivisão Coniferophyta (coníferas)

Morfologia: são 50 gêneros e 550 espécies. A planta vascular mais alta, a sequóia (Sequoia sempervirens) é uma conífera. As sequóias atingem mais de 117 metros e o diâmetro do tronco pode atingir mais de 11 metros. As coníferas incluem os pinheiros e os abetos. Os pinheiros incluem as gimnospermas mais comuns.  Há cerca de 90 espécies de pinheiros, caracterizadas pela filotaxia das folhas. As folhas dos pinheiros são aciculares. Nas plântulas,  têm arranjos espiralados e nascem solitárias. Depois de 1 ano, começam a nascer folhas em grupos, protegidos por escamas. Estas folhas são adaptadas para regiões áridas.

Reprodução: Nos pinheiros e na maioria das coníferas, os microsporângios e os megasporângios nascem sobre cones (estróbilos) na mesma árvore. A polinização nos pinheiros ocorre na primavera; o pólen se adere a uma gota de fluido espesso que ocorre próximo da micrópila. A fecundação da oosfera ocorre cerca de 15 meses após a polinização.

 

Ordem Coniferae:  (Segundo Joly, 1991)

Família Pinaceae: plantas arbóreas ou arbustivas lenhosas, com folhas dispostas em espiral, em certos gêneros (Pinus, Cedrus, Larix) estas só se forma em ramos curtos especiais, os braquiblastos, apresentando-se então em fascículos. Cada megasporófilo (escama carpelar) transporta 2 óvulos, e é protegido por uma folha estéril, a escama de cobertura. Esta não se desenvolve após a fecundação e é incorporada à base da escama carpelar que cresce e se torna lenhosa. Sementes muitas vezes aladas (Pinus, Cedrus). Alas formadas a partir de uma porção da escama carpelar. Flores masculinas em densos estróbilos alongados; cada microsporófilo transportando 2 sacos polínicos (microsporângios). Esta é a maior família de gimnospermas vivas, com centro de dispersão no hemisfério norte. Pinus é o maior gênero com cerca de 90 espécies.

Família Araucariaceae: plantas arbóreas de grande porte, com folhas pequenas, alternas, em geral densamente dispostas, e em certos casos imbricadas. Plantas com sexos separados. Flores femininas reunidas em grandes e densos estróbilos com mais de duas centenas de flores. O óvulo nasce na axila de um megasporófilo pouco desenvolvido e é protegido por uma folha estéril, a escana de cobertura, que acaba envolvendo e encerrando o óvulo fecundado, de tal maneira que o grande cone maduro é composto por unidades isoladas, o chamado pinhão. Estróbilos masculinos longos, onde cada microsporófilo transporta 8 microsporângios alongados. Família exclusiva do hemisfério sul, com 2 gêneros apenas, o primeiro Araucaria, com 2 espécies no sul da Améria. Uma espécie, A. araucana ocorre no sul do Chile e Argentina, a outra A. angustifolia (=A. brasiliensis) ocorre no sul do Brasil e no território de Missiones na Argentina. Outra com uma só espécie é encontrada na Austrália e outra ainda nas ilhas Norfolk. Um segundo gênero Agathis (=Damara) é nativo da Austrália. Entre nós são cultivadas: A. excelsa (pinheiro-de-norfolk), A. bidwili (da Austrália) e Damara também da Austrália.

Família Cupressaceae: esta é a segunda maior família do grupo, com 18 gêneros e cerca de 180 espécies no hemisfério norte. Somente 2 gêneros ocorrem espontaneamente nos Andes chilenos, um na África e alguns na Austrália, todos os outros são do hemisfério norte. Nenhum é nativo do Brasil. São plantas lenhosas de porte arbóreo ou mais raramente arbustivas. Folhas em geral pequenas, escamiformes, de disposição oposta, revestindo completamente os ramos novos. Plantas monóicas. Estróbilos masculinos pequenos, terminais ou laterais, isolados ou em grupos. Cada microsporófilo transportando 4 microsporângios. Estróbilos femininos terminais em ramos curtos, pequenos, com escamas de cobertura peltadas, opostas e densamente dispostas; cada uma transportando de 2 a 12 óvulos eretos, estes protegidos, cada um por uma escama carpelar (megasporófilo). Cones pequenos, os menores dentre as coníferas, lenhosos ou carnosos  (Juniperus) e neste caso designado gálbula. Dentre os gêneros cultivados no Brasil destacam-se: Cupressus (cipreste); Thuja (pinheiro-de-cemitéiro), Chamaecyparis e Thujopsis  (raros) e Juniperus é plantado em certos pontos da Serra da Mantiqueira. Os representantes arbóreos deste grupo fornecem madeira para vários fins; das bagas de Juniperus se extrai  o princípio oleoso utilizado no fabrico de gin.

Família Taxodiaceae: possui 10 gêneros, de plantas lenhosas arbóreas, com um único gênero no hemisfério sul. A maioria dos gêneros está concentrada na Ásia Oriental e 2 na América do Norte. Em um gênero os ramos curtos laterais, que transportam as folhas são decíduos na estação fria. Folhas pequenas, aciculares ou escamiformes, com disposição espiralada. Plantas hermafroditas, formando estróbilos masculinos laterais pequenos, onde cada microsporófilo transporta de 2 a 9 microsporângios. Estróbilos femininos terminais, cada megasporófilo transportando 1 óvulo em geral ereto. Cone maduro, lenhoso, pequeno para o grupo, em geral constituído pelas escamas de cobertura, estas geralmente protegem de 3 a 9 óvulos. Sementes pequenas. Embrião com 2 a 9 cotilédones. Frequentemente cultivados entre nós destacam-se os seguintes gêneros: Taxodium, com folhas delicadas e que se tornam intensamente vermelhas e depois caem no início do inverno e apresentam pneumatóforos, quando plantados em terrenos brejosos ou alagadiços; Cunninghamia, com folhas do tipo do nosso pinheiro; Cryotineria, intensamente cultivada como ornamental em parques e jardins e também para cercas vivas. Os 2 últimos gêneros são utilizados comumente como árvores-do-natal nos Estados do Sul, me substituição do pinheiro-do-paraná. Merecem destaque especial os gêneros monotípicos da América do Norte, Sequoiadendron e Sequoia, o primeiro dos quais atinge tamanhos gigantescos e idade de cerca de 4000 anos, com 120m de altura e diâmetro de 12m.

 

Bibliografia consultada

Raven, P. H.; Evert, R. F. e Eichhorn, S. E. (1996) Biologia Vegetal.  5.a edição. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro-RJ.

Joly, A. B.  (1991) Botânica Introdução à Taxonomia Vegetal. 10.a edição. Companhia Editora Nacional, São Paulo-SP.


   
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