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A história natural dos marsupiais

 

Por Chris Nedin, 1994.

Um escritor pergunta: “A questão não é como eles escaparam da Austrália, mas como eles voltaram para lá. Mas os evolucionistas encaram os dois problemas. Algum de vocês seria voluntário para dar uma resposta?”.

 

Os marsupiais e placentários se originaram do mesmo tronco pantoteriano, no fim do período Cretáceo. Os primeiros marsupiais apareceram na América do Norte há aproximadamente 80 milhões de anos atrás, e um exemplo é o Alphadon (marsupiais podem ser distinguidos dos placentários pela sua dentição – marsupiais têm três pré-molares e quatro molares, enquanto os placentários têm de três a cinco pré-molares e três molares). Perto do término do período Cretáceo, os marsupiais começaram a aparecer na América do Sul (Peru e Bolívia). No período Eoceno, os marsupiais irradiaram-se pela Europa, pelo Norte da África e chegaram na Ásia no período Oligoceno. No entanto, esses grupos foram extintos rapidamente. A América do Sul e a América do Norte se separaram no Eoceno, bloqueando efetivamente a rápida radiação de placentários na América do Norte nesta época de dispersão para a América do Sul. Durante o Eoceno, marsupiais atingiram a Antártida, que foi anexada à América do Sul e à Austrália nesse período. Os marsupiais puderam seguir um cinturão da vegetação de Northophagus por todo o caminho, desde a parte mais baixa da América do Sul, passando pela Antártida e chegando na parte sul da Austrália. Os primeiros marsupiais apareceram na Austrália no período Oligoceno por essa rota. A Austrália se separou da Antártida no período Mioceno, isolando efetivamente a fauna marsupial lá.

 

No entanto, foi achado um fóssil de marsupial do final do Oligoceno na Ásia, e este se aproxima muito da forma do Peratherium europeu, que é um didelfídeo, e tem algumas semelhanças com o exemplar Australiano. Por isso a colonização da Austrália pelo norte não é considerada viável. Marsupiais australianos (existentes e extintos) compartilham de muitas semelhanças com os marsupiais da América do Sul e com os extintos exemplares da Antártida, indicando uma rota de imigração pelo sul para os marsupiais e explicando a falta de mamíferos placentários na Austrália. Quando a América do Sul se atracou novamente com a América do Norte no período Plio-Plestoceno, a América do Sul já estava separada da Antártida e a Antártida da Austrália. Assim, a reintrodução de placentários na América do Sul não pôde continuar para a Antártida – Austrália. Nota: isso não impossibilita que algum placentário tenha atingido a Austrália, mas impossibilita que um número significativo dos mesmos a tenha atingido.

 

Evidências

 

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Fósseis:

 

  1. As semelhanças notadas entre os exemplares da Austrália e da América do Sul/Antártida quando comparadas com as formas Européias/Asiáticas.

  2. A presença da vegetação Northophagus na Austrália, Antártida e América do Sul nesse período (Nota importante: sementes de Northophagus não toleram imersão prolongada em água do mar – elas são degradadas rapidamente, ou seja, não poderia ter havido o transporte pelo mar).

 

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Radiométricas:

 

  1. Datações mostram a progressão cronológica dos marsupiais desde a América do Norte, através da América do Sul e até a Austrália.

 

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Paleomagnéticas:

 

  1. As aparentes trajetórias da viagem polar para a Austrália e Antártica são equivalentes antes do Mioceno - indicando que antes do Mioceno, Austrália e Antártica atuavam como uma unidade coesa, isto é, estavam unidas.

 

Linha do tempo

 

Plio-Pleistoceno - América do Norte e do Sul se atracam;
Mioceno - Antártida e Austrália se separam;
Oligoceno - Marsupiais são extintos do norte asiático e da África/Europa;
 - Marsupiais alcançam Austrália e Ásia;
Eoceno - Marsupiais são extintos na América do Norte;
 - Marsupiais atingem a Antártida;
 - Radiação de placentários na América do Norte;
 - América do Norte e do Sul se separam, marsupiais chegam à Europa;
Paleoceno 
Fim do Cretáceo - Marsupiais sul-americanos;

 - Primeiros Marsupiais.

Traduzido por Daniel Mondolo, 2005.

Texto original
Traduzido e publicado sob licença de Talk Origins

Como citar esse documento

Muitas pessoas perguntaram como citar esse trabalho em artigos formais e acadêmicos. Esse trabalho é uma publicação online, publicada originalmente pelo arquivo do Talk.Origins, e em sua versão em português no Projeto Evoluindo. Há procedimentos acadêmicos padrão para citação de publicações online. As informações para referenciar o texto original encontram-se aqui.

Nedin, C. (2005) A história natural dos marsupiais. Projeto Evoluindo - Biociência.org. Trad.: Daniel Mondolo. [http://www.evoluindo.biociencia.org/marsupiais.htm]



   
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